A taça,

o gesto em falso,

o gosto de ameaça.

O olhar que desfere

o vôo torto,

não tão ágil que,

próximo da promessa,

desaba frágil

num chão de ruínas.

A suposta vítima,

única testemunha,

se escusa com enjôo,

e sepulta, ali mesmo,

do outro,

o instinto de existir.

Anjo coxo,

ri-se ele agora

da própria morte,

vivendo como um irmão

em nossa companhia.

….

… o vento lá fora,

improvisando nuvens

8noites_deangelix

o gosto do nada

a vida insana

a noite insone

as horas medidas em pontas de cigarro

deitado no catre emprestado

o emprego emprestado

até o poema emprestado

só a morte devolvida

praia

Estendo a palavra
sobre a areia branca

o horizonte

a linha

a frase

 

E o vento
rabisca vírgulas
em teus cabelos

mente-distante

aliteração

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Da pressão persa, não tem pressa a Grécia, pensa o Rei da Pérsia.

- Venceremos pela força da inércia, pondera Tirésias.

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birdsfirst_deangelix1

haicai é o haiku


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Um haicai clássico, sempre citado quando alguém discorre sobre este tipo de poesia vinda do Japão. No idioma original a leitura é feita na vertical, de cima para baixo e da esquerda para a direita.

furuike1

Na tradução brasileira de Paulo Franchetti e Elza Doi ficou assim:

O velho tanque

Uma rã mergulha,

Barulho de água.

Sobre este mesmo poema de Bashô, já se debruçaram pesos pesados como Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Paulo Leminski e outros. Nada teria a acrescentar ao tema, não fosse o prurido brasileiro em usar a palavra haiku, tal como é praticada no mundo inteiro. E é justamente esta sonoridade escatológica que fez render coisas como…

Velha privada

Haiku abrindo

Cada pum!

ou por outra

Velho vaso

Merda solta

Barulho de água

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