o gosto do nada
a vida insana
a noite insone
as horas medidas em pontas de cigarro
deitado no catre emprestado
o emprego emprestado
até o poema emprestado
só a morte devolvida
Estendo a palavra
sobre a areia branca
o horizonte
a linha
a frase
E o vento
rabisca vírgulas
em teus cabelos
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Da pressão persa, não tem pressa a Grécia, pensa o Rei da Pérsia.
- Venceremos pela força da inércia, pondera Tirésias.
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Um haicai clássico, sempre citado quando alguém discorre sobre este tipo de poesia vinda do Japão. No idioma original a leitura é feita na vertical, de cima para baixo e da esquerda para a direita.

Na tradução brasileira de Paulo Franchetti e Elza Doi ficou assim:
O velho tanque
Uma rã mergulha,
Barulho de água.
Sobre este mesmo poema de Bashô, já se debruçaram pesos pesados como Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Paulo Leminski e outros. Nada teria a acrescentar ao tema, não fosse o prurido brasileiro em usar a palavra haiku, tal como é praticada no mundo inteiro. E é justamente esta sonoridade escatológica que fez render coisas como…
Velha privada
Haiku abrindo
Cada pum!
ou por outra
Velho vaso
Merda solta
Barulho de água
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